CINERAMA

cinema sem frescura

Arquivos Mensais: maio 2013

Better to be king for a night than schmuck for a lifetime

Image

Desde já peço desculpa pelo título de minha resenha, mas achei que esta fala retrata tão bem o tema da obra que merecia ser citada em sua forma original. O filme retrata a vida de Rupert Pupkin que fantasia em ser um renomado comediante da televisão e acredita ser o ‘’rei da comédia’’. Para Pupkin o que o impede de sair do anonimato para ingressar no estrelato é somente uma oportunidade. Por isso, persegue Jerry Langford, um famoso apresentador de talk show, para assim conseguir sua chance de ouro. E é rejeitado. Após juntar-se com outra fanática bola um plano para sequestrar o apresentador pedindo como resgate o espaço no programada do refém para expor seu stand-up em transmissão nacional.

O filme chama atenção para uma visão bem consolidada na sociedade: a solidão é equivalente à derrota. Por isso muitas vezes vemos pessoas que buscam com garras e dentes um espacinho no hall da fama, seja em meio de comunicações ou em seus círculos sociais, escola ou trabalho. Ser “famoso’’ significaria nunca estar só e isso é visto como uma vitória. A personagem de Langford certamente estaria em desacordo com este pensamento, uma vez que mesmo com fama e riqueza é extremamente triste e mau-humorado.

Também é vista a transição entre a admiração e a inveja em relação a um ídolo. Analisando friamente, é possível perceber que Pupkin não se interessa pela arte de Langford e sim pelo seu estilo de vida e pelos benefícios que a fama pode lhe trazer. Esta vontade de ocupar um lugar que não lhe pertence de uma forma tão firme o torna perigoso e ele acaba cometendo um crime, como retrata a história.

O filme indubitavelmente apresenta temas bem interessantes, porém não me agradou. Admito que a culpa em grande parte deva ter sido minha, pois não fui com olhos imparciais e talvez por ser fã do Scorsese e esperar algo mais violento e bruto tenha gerado a deixa para o desapontamento.

Não costumo me basear nisso como parâmetro, mas só para mérito de curiosidade este foi um dos maiores fracassos de bilheteria de Scorsese. Apesar de minha crítica, recomendo que assistam, pois a atuação de De Niro está (como de costume) admirável e a parceria do mesmo com o diretor em questão é sempre interessante.

Luisa M. L. Peres

Doméstica

Image

O filme Doméstica me decepcionou em 2 pontos: o primeiro, o título; o segundo, a ausência de um fim. Mas não me entenda mal, o filme é muito bom e me surpreendeu, como poucos filmes brasileiros.

Pouco antes de começar, uma pequena apresentação foi feita aos espectadores na qual ficamos sabendo de quê se tratava o filme. Por isso minha estranheza desde a 1ª imagem: Doméstica. Um título como esse, no singular, me leva a crer que eu estaria prestes a assistir a um filme sobre características gerais, típicas, de pessoas que desempenham essa função de empregada doméstica. O título no singular denota a descrição, a caracterização de um arquétipo.

Porém, não foi essa a descrição feita na apresentação. E, afinal, não foi isso que o filme mostrou. O filme era sobre domésticas, algumas delas apenas, todas com uma característica em comum: o tempo prolongado de trabalho em uma mesma casa. Provavelmente, se a história do filme não nos tivesse sido contada previamente, esse detalhe ter-me-ia passado despercebido.

Dito isto, sigamos em frente, ao começo do filme: Domésticas, se me permite.

Minha impressão geral foi muito boa! O filme retrata desde cenas tristes, dramas familiares, personagens em crise e situações constrangedoras até um pouco da mais pura comédia: cenas hilárias, personagens divertidíssimas e conversas de absoluta leveza.

Foi também muito interessante ver que o diretor (ou diretora) escolheu retratar desde famílias ricas, com carro exclusivo para uso da doméstica/ motorista, até um domicílio paupérrimo, onde a empregada protagonista era empregada de uma empregada (com redundância!).

Na mão de cinegrafistas amadores, nós somos levados ao interior dos lares onde domésticas trabalhavam há anos, tendo visto o crescimento de seus pequenos patrões até se tornarem adolescentes. Encarregados das filmagens e entrevistas, esses pequenos diretores tornam-se personagens do filme ao descobrirem histórias inimagináveis contadas pelas domésticas que estiveram presentes em suas vidas desde o princípio. Mérito, claro, da direção, que selecionou as cenas de forma muito inteligente para introduzir nas histórias os próprios cinegrafistas.

E nesse estilo de filmagem, muitas vezes tremido, algumas vezes estático, mas sempre inocente, nos damos conta de que aquelas pessoas que passaram mais de uma década cuidando dos filhos dos outros, criando-os, educando essas crianças que não são suas, essas pessoas também têm seus problemas, suas vidas pessoais, suas crianças.

O 2º ponto que me desagradou foi a inexistência de um fim. Eu pude perceber, através da escolha da ordem das histórias das 6 domésticas, a criação de um início, brando, que evoluiu para histórias mais profundas. Porém, a partir destas eu não vi a elaboração ou um encaminhamento de um fim, uma conclusão. Não me foi clara a criação de nenhuma tese a partir do que foi apresentado. Claro, eu não esperava que a opinião do diretor (ou diretora) nos fosse explicitada. Porém, da metade para o final do filme, tudo o que eu vi foi uma sequência de contos, desconexos entre si, com níveis dramáticos crescentes, até que tudo termina, a tela fica preta, e o filme acabou. Em minha opinião, o filme acabou no meio. Faltou um fechamento.

Felipe Telles Lesbaupin